domingo, 22 de maio de 2016

HOJE ABRI O SOL MAIOR

Hoje abri o sol maior,
vi na moldura a cor escura.
Nem senti a luz entrar
pela janela da sua rua.

Eles querem que eu desista.
Mas eu não vou.
Eles querem que eu desista...

Se é possível seguir rumos
sem pedir destino, eu não sei.
Só quero crer na flor.

Eles querem que eu desista.
Mas eu não vou.
Eles querem que eu desista...

Eu vim cá, buscar
a calma do amanhã.
Eu vim cá, olhar
o preço que há no tempo.
Vendi meu medo.
Hoje abri o sol maior.



(Hilreli Alves / Matheus Lucena)



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

DEU 30

Lá se foi minha juventude... Eu tinha tanto pra fazer ainda. Sei lá, cumprir certos protocolos do que toda juventude faz um dia. Mas péra, do que é que eu tô falando? Bom, isso é pauta pra capa de revista, é assunto pra psicanálise, vira debate existencial no Programa da Fátima - Televisão? WTF! Hoje em dia vira tag pra youtubers. Ou nem isso mais!) - é até tema de música! - Obrigado Sandy, você me representa! (rs) - Chegar nos 30 é como receber um atestado de: "É fi, agora fudeu!" É olhar pra trás e ter mais recordações do que só as fotos com os colegas do ensino médio. É perceber que aquele filme que você e mais uns amigos se reuniram pra ver numa sexta a noite qualquer, já tem mais de 20 anos que foi lançado! PQP! E você alugou, pasme, numa locadora de filmes!!

Seus amigos já casaram ou estão casando e não porque aconteceu uma gravidez inesperada (pelo menos não em sua maioria - rs). Eles realmente querem isso. Quer dizer... Enfim. Parece que foi outro dia, me lembro perfeitamente. Subindo a pracinha, alí na rua da farmácia, no São Pedro... Meu primo e um amigo se gabando na vida porque eles tinham 15 e eu 12. Eles falavam: "Você vai ver só quando fizer 15!" E eu no alto da minha pura inocência, pensava: "Nooooh! Vai ser demais!" E parece que o intervalo de tempo entre esse dia e hoje foi só "ontem". Que diabos eu estava fazendo na vida? Daí uma rápida passada de olhos nas suas redes sociais - Descanse em paz, Orkut. <3 - e já começa a se dar conta do tamanho do problema. Isto é, se você sempre foi um sujeito 'experto' e ligado no que rola e já tinha Facebook e Cia ltda muito ANTES de todo mundo ir pra lá e virar modinha. Hunpft! Sou desses.

Cara, eu vi a internet nascer! Ou como uma frase que vi dia desses: "Quando eu cheguei na internet era tudo mato!" Isso vai ser muito em breve, mais ou menos, como ouvir a história dos meus avós, pais e tios contando como era ver TV antigamente, que todos se reuniam na casa de um vizinho pra assistir porque geralmente só uma pessoa na rua tinha e blábláblá. Como assim Brasil? Como assim? Eu provavelmente fui um dos últimos i̶d̶i̶o̶t̶a̶s̶  a comprar uma caixinha com 10 disquetes pra poder salvar meus arquivos, relíquia que guardo com muito carinho junto ao meu Motorola V3. E não ri não porque daqui a pouco é você que vai ficar pra trás também com o seu pendrive, ô bocoió! Eu já tenho idade pra ser o tio da Sukita. Isso é muito dramático. A playlist de flashback do spotify é tão atual. Não sei o que acontece. Eles devem ter errado, certeza! In the end , aquela do Linkin Park, que você pulava animadão num baile qualquer da vida foi lançada em 2002! E isso tem... - Sou de humanas, sem contas, por favor! - Acorda! Aquela onda do momento já se foi faz algum tempo. E você já viu passar algumas. Já imaginou com quantos anos o "Jhonatan da nova geração" pode estar hoje? Vamos evitar pensar nisso.

Você já viu partir algumas gerações dos seus animais de estimação e o último você, muito  provavelmente, teve que enterrar ou "dar fim" e não "alguém mais velho". Na sua idade, seus pais já tinham você. E você é o que na vida hoje? Pensa que é fácil fazer 30 e ainda ter planos e sonhos  ̶a̶d̶o̶l̶e̶s̶c̶e̶n̶t̶e̶s̶? Bom, por sorte, além disso, ainda tenho cabelo também, o que na minha idade já pode se considerar uma grande vitória, tendo pai calvo.

Os anos corridos me arrebatam de nostalgia e saudade. Saudade de um cheiro de um lugar que não sei de onde, de uma tarde na horta da minha avó, de um corre na rua pra vencer o pique bandeira, do entrar na sala no primeiro dia de aula na faculdade, do suor frio e perna bamba no primeiro beijo, de domingo, às 12:30h, vendo TV, do imenso frio na barriga quando tinha reunião dos pais na escola, de quando eu acreditava que, quando crescesse, podia ser um power ranger - ou o Batman - e salvar o mundo, de sentar na Rua Irineu Bianchetti e ver a tarde passar, de marcar o primeiro sarau na estação, de ficar atento no calendário pra que todo dia 10 estivesse com o cabelo devidamente cortado (estudava no Tiradentes, colégio militar.), de esconder na casa do vizinho pra que o namorado ciumento da amiga não me encontrasse lá, das aulas de desenho do professor Wagner, em Petrópolis, de voltar às 6h da manhã daquele carnaval em 2002, saudade da dormideira, plantinha que a gente batia o dedo e ela fechava, eu achava isso mágico,... (suspiro) Vou parar, ou não paro! ..rsrs

O grande barato de completar tantos ciclos é a apropriação, propriedade e empoderamento que se conquista. A gente finca o pé na terra. A gente encontra o rumo, o trilho. Muitos dos planos e sonhos que tive não se concluíram. No meio do trajeto fui transformado pelo percurso e a travessia tornou-se um sonho que fugia de qualquer maravilha que pudesse, outrora, ter imaginado! Dá medo. Mas dá vontade também de embarcar na próxima aventura e dá sede de encarar o destino de peito, de frente, aberto, repleto e pleno! Eu tenho sorte. Eu tenho dores. Eu tenho flores a colher pelo caminho. E nessa jornada não sigo sozinho, carrego os meus. E agradeço por tudo que me foi contemplado até aqui. Simbora lá laiá seguir! Há muito o que vir. Há muito.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

EU TE QUERO BEM, QUERO. (SOBRE O QUE EU NEM SEI O QUE É)

O amor é luz que lumia o peito da gente.
E que na sede de buscar o destino,
encontra o motivo de seguir.

O amor? Ah o amor é um trem desmedido!
Um trem desenfreado que cata a gente
sem esperar, nem pensar ou matutar.

É quando o tempo não cabe nele.
É um proteger sem fronteiras.
É um abraçar de olhos fundos,
mergulhados no querer bem.
Eu te quero bem, quero.

O amor é daqueles que envolve.
E que na trama de consumir
tece cada segundo de euforia.

O amor? Ah o amor é do tipo pum! Pá! Splash!
Um sonoro silêncio de desejo
de entre olhar, de suspiro e contemplo.

Eu falava de que mesmo?


11/03/2015 25/07/2015 02 10 2015






domingo, 14 de junho de 2015

DENTE

De repente, certezas desfeitas.
De repente, dúvidas repletas.
Virou o avesso ao lado.
Mudou o seguir.
Curvou o tempo, firmou intento.

Recolho o verbo, pois,
Dizer, faz do futuro mutante.
Dizer, faz do fluir, fluxo.
Dizer, faz da vontade, fato.

Então não digo. Então não faço.
Então eu faço. Então eu digo.

Mergulhar o inebriar d'alma.
me instiga e acende.
A paixão é doida.
O tesão é louco.
Toda medida nesse campo é pouco.
E eu não posso controlar o latente.
O ranger de dente.



06/05/2015 08/06/2015 14/06/2015


quarta-feira, 3 de junho de 2015

CONSTRÓI

Não é preciso prova.
Teste é didática falida.
É preciso querência.
Vontade plena e desmedida.

Sua ausência doe e cala.
Minha fala míngua.
Da língua some
o verbo rala.

Confiar é linhagem clara.
O olho brilha
quando na vontade mútua.
O afeto trilha
quando não há culpa.

Na cadência de firmamento
o peito bate no vento
e encara o que há da vida.
E eu só vim pra brincar mesmo...
De trova, de canto, poesia,
de farra, de manto, Maria.

Brinca de cá.
De ali e de lá.
Me leva o suspiro
enquanto respiro no pulo.
Me leva a força
que torça os veios.
Me leva as certezas
que minei na vida.
Só não me deixe por ai.




quinta-feira, 14 de maio de 2015

O NÃO DIZER DAS COISAS

Bastava reconhecer.
Bastava assumir a condição
de não possibilidade.
Bastava não rodar noites
por meia cidade.
Bastava reduzir seu verso,
seu controverso sentido.
Bastava aceitar que esperar
não é razão de efetividade.
Me incomoda, me rasga,
me dilacera,... Me espera!
Pois, o que não fala, não diz.
Pois, o que não diz, não fala.
O não dizer das coisas
fere a troca do fluir.
E ainda há tanto fluxo pra vir.



quarta-feira, 6 de maio de 2015

ABISMOS

O silêncio berra aos ouvidos dessabidos,
quando no não dizer.
Bastava um mínimo.
Bastava...
Tiraram-nos as cores de nosso colorir.
Findaram-se nossa vontade infinda.
Calaram minha voz aos nossos cantos.
As palavras não ditas
tornam-se abismos entre as pessoas.
E o reconstruir demora.
E o que demorar, vigora.





Pontes, Vamos construir.